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segunda-feira, 10 de março de 2008

Sem medo... (Ou: Exorcizando-me)

Dentre todos os sentimentos, o pior é o medo.
Não por desconhecimento, ou por excesso de zelo...
Mas por uma total caoticidade
que provoca em nossa (aparente) racionalidade...

Embora muitos tirem forças de seus medos
(E eu os invejo),
eis que a cada dia mais me comprometo
a lutar contra esse sentimento que desprezo.

Exorcizo-o,
é fato mais que consumado.
Mas ainda que eu consiga dizimá-lo
aind'assim acreditarei que o admiro...


João Bosco De Oliveira

Essa música abaixo, de Oswaldo Montenegro, expõe o que quero dizer.
(Clicando no link abaixo, abrirá uma outra janela. Clique na seta verde Play this File e escute, enquanto acompanha a letra. Caso gostes da música, faça o download no link "download file" que fica no canto inferior direito da página que abrirá.)
Se Puder, Sem Medo - Oswaldo Montenegro.


Se Puder, Sem medo
Composição: Oswaldo Montenegro.


Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo

Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência

Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava


Abraços a todos(as) do amigo João Bosco De Oliveira.

domingo, 9 de março de 2008

Caótico


Mesmo que pudéssemos crer
No que não julgamos ser possível,
Ou que pudéssemos ver
O que nos é invisível,
Ainda assim seriamos ilusões...

Ainda que possibilitássemos
Ao nosso cérebro,
À nossa alma,
Ao nosso espírito
Acreditar no inalcançável,
Mesmo assim seríamos recordações
De algo há muito esquecido.

O impacto do passado
Em nossos presentes
Evoca sentimentos futuros
Cada vez mais cansados,
Cada vez mais cadentes,
Cada vez mais caducos...

E seguimos,
sendo as sobras
de nossas próprias sombras...




João Bosco De Oliveira.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Mutualidade (Ou: Amar é voar com asas de pássaro atadas)

E o sol nasceu de novo, ainda que ele não confiasse mais no alvorecer...
Amigos mais não tinha; tampouco a namorada que o amara a tempos (ainda na época em que ele tinha confiança nele e nos outros). O medo de perder fê-lo perder tudo: Respeito, confiança, amigos, namorada, amor-próprio, TUDO!
O dia, inerte e maculado, ascendia sua inconteste loucura:
- O que será que meu espelho quer dizer com isso, ao mostrar-me minha barriga? Estarei gordo? Estarei magro? Estarei aqui, ainda? E essas rugas? Esses cabelos brancos? Esse maldito espelho quer tão-somente me sacanear! - disse ele, entredentes...
Desconfiado do espelho, amaldiçoando-o, resolveu se vestir para caminhar na praça ("O tempo passa mais rápido quando vemos infelizes crédulos que nos outros confiam" - dizia sempre, zombeteiro): Pessoas riam ("com certeza zombam de mim", pensava ensandecido enquanto seu rosto tornava-se mais ameaçador), namorados passeavam de mãos dadas ("ele é corno, com certeza", falava baixinho enquanto ironicamente e disfarçadamente sorria). ELA passeava com o cachorro ("pobre do cachorro, não sabe ele que a mão que afaga é a mesma que apedreja", pensou ele com saudades dela e com ciúmes do cachorro...).
A lua saiu, maravilhosamente bela e cheia, ainda que ele não acreditasse mais nem em maravilhas nem em belezas... Tampouco no efeito que a lua causava nas pessoas (Ele, inclusive, já havia admirado muito a lua ao lado dela, em priscas eras...)
A madrugada chegou, com todos os seus fantasmas: Amargos, como ele se tornara. Ranzinzas, como ele se tornara. Sufocantes, como ele se tornara...
O tempo passava e ele desconstruia sua sensatez a cada instante, a cada nova desconfiança contínua.
Até que, num aparentemente e comum dia como todos os outros, a campainha tocou.
-Quem é? - Perguntou ele, sem confiar que respondessem.
-Sou eu! Quero falar contigo!
"IMPOSSÍVEL" - Pensou ele. "O que ELA quer comigo!?"
-Vai abrir, ou volto mais tarde? - ELA disse, com voz firme.
E abriu o portão, de cabeça baixa...
- O que você fez consigo? O que o mundo fez consigo? O que EU fiz consigo? Você se tornou um egoísta egocêntrico, a quem um dia amei antes de sê-lo- Disse ela, sem conseguir disfarçar a irritação.
- Eu...
- CALE A BOCA, QUEM FALA SOU EU!!!! Disse ela, enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto, antes de dar-lhe um beijo e ir embora.
E ele correu, correu até cansar. Mas não a alcançou.
E dormiu, acompanhado pelos mesmos pesadelos cotidianos: Perseguições, traições, medos, sombras, dor e ódio.
Acorda suado, sem saber que diabé que estava acontecendo. Percebe que tudo fora um sonho. Da mesma estirpe de sonhos reais que levou-o a sonhar com ela, mesmo antes de conhecê-la...
Ao lado dele, já acordada, ELA olhava pra ele sorrindo.
E lhe pergunta, novamente:
-Amor, você confia em mim?! Posso sair com minhas amigas, hoje?
E ele responde:
- Até o fogo
(que arde potente)
vira um grande enevoado
caso seja levemente abafado.
Deixar livres a quem amamos
é a melhor forma de saber
que também amam a gente:
Pois quem ama
sempre retorna
(e é essa minha maior vitória:
pois sempre retornas contente).

E ela disse:
-Vamos comigo?!

E, depois dele dizer que não poderia ir por não querer invadir o espaço dela, fizeram amor como nunca haviam feito antes: Com total cumplicidade, companheirismo, confiança e mutualidade...




João Bosco De Oliveira

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Auto-personificação (EU)

Chamam-me de culto
(acho-me um embuste).
Acham-me inteligente
(chamo-me de abutre).

Engano
meus encantos,
encantando
aos que me enganam...

Alegro
aos que me entristecem,
sem sabermos
quem enlouquece.

Aos amigos
daria a vida
(Ainda que'u não mais tivesse).

Fazer o quê?
É a vida:
Merdas, simplesmente, acontecem...




João Bosco De Oliveira

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Conto Boscular (Ou: Eu já disse que te amo, Hoje?!)

Certa feita, um sabiá decidiu morrer...
Voou o mais alto que podia, o mais alto que sabia e desmaiou...
Antes de cair no chão, em mil pedaços, escutou a voz assustada de sua sabiazinha:
-Ei, já disse que te amo, Hoje?!
E caiu ao chão, em mil pedaços.
Três meses se passaram até que ele acordou todo esfarrapado, sem nada entender.
E viu a sabiazinha ao seu lado que, após dar-lhe um longo beijo, foi logo a dizer:
- Juntei todos os teus pedaços, colei-os todos, todo dia eu te beijava, mas todo dia eu contigo brigava pois tive medo de te perder...
E ele respondeu, com lágrimas nos olhos:
-Amar é voar com asas de pássaro atadas;
Encontrar a amada
em todos os lugares
(mesmo sem lá estar):
Amar é viajar o mundo sem sair do lugar.

Amar é recuperar-se sem cicatrizes
(Como por milagre):
É voltar da morte
para voltar a amar...

E voou, para fazer um ninho, no qual vivem juntos desde então (e onde contam essa história aos seus filhos; mas eles não acreditam não).

Homenagem à pessoa que me "ressucitou" há três meses... Obrigado, "Titílha"!!!


João Bosco De Oliveira

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Arrependimento Acróstico (Ou: Ainda que vís palavras saiam de minha boca, elas não refletem a totalidade de meu pensar)

À Luz da lua minguante,
exígua como meus pensares,
hesito receoso por um instante:
-Tenho que dar novas visões aos olhares...

Recorro à cicatrizes mentais,
para dar figura a meus medos.
Mesmo sendo difícil percebê-los,
eles assombram-me taciturnos
(Transcendentais).

Respiro para aliviar a síncope,
ainda que o descompasso
mental já tenha feito o estrago...

Escuto minha alma,
pois a voz é diminuta:
-Serei mesmo um grande filho da puta?!

Peço um voto de confiança:
-Confie em quem não confia
em ninguém há muito tempo,
acredite em quem não acredita
em ninguém faz muito tempo,
ame a quem não ama
nem a si mesmo há muito tempo...

E assista resignada
a uma mudança abissal:

Nenhuma figura humana,
ainda que emperdenida
por várias razões da vida

Deixa de amalgamar
experiências a esmo...

Indo de encontro
a si mesmo,
mesmo na forma de outrem amado.

Milagres acontecem?

Espero que sim,
para meu próprio bem...

Nada mais espero senão

Ter-lhe sempre ensinando-me
a acreditar...

Ontem, hoje e sempre
(AMÉM!)


acróstico
[Do gr. akrostichís, ídos, pelo fr. acrostiche.]
Substantivo masculino.
1.Composição poética na qual o conjunto das letras iniciais (e por vezes as mediais ou finais) dos versos compõe verticalmente uma palavra ou frase.

Para Cecilia, por fazer-me voltar a acreditar cada vez mais a cada novo dia...




João Bosco de Oliveira

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Realidade


Sinto o Cheiro ocre
das pessoas queimando
em mais um acidente de avião.

Enquanto todos choram,
Vejo meu assessor especial
vibrando e rindo
pela televisão.

Meus mais íntimos colaboradores
já foram presos
(Prenderam até meu irmão),
mas continuo apoiando
gente podre à exaustão.

Distribuo esmolas a esmo:
Bolsa-família,
Verbas parlamentares,
Cotas pra estudantes negros.

E sigo em frente,
contente:
Bem que desconfiei que o comunismo
capitalizava tanta riqueza pra gente!!!

E, Humildemente,
repito até dar nos nervos:
"Nunca, na história desse país..."

Algum Fantasma Vivo, psicografado por João Bosco de Oliveira.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Pensamenthus (pretensamente) maduros.

Pois é! O tempo passa, o tempo voa... E o louco aqui continua numa boa!!!
Pensando analisar e analisando o pensar... CONTINUAMENTE e sempre em escala ascendente.
Hoje posto uns pensamentos de aniversário:


Aniversário

Incansável e implacável,
O tempo passa
Corroendo sonhos,
Destruindo planos,
Esperançando desenganos,
Reconstruindo quem fomos
(Caotizando quem somos).

Mas a vida segue
(Intrépida e serelepe):
Assoberbam-se novos sonhos,
Ruminamos novos planos,
Aprendemos com enganos,
Temos esperanças por quem somos.

E seguimos a vida que segue...

(Tal qual um rei,
prestes a levar o inevitável "xeque").



Dúvidas inexistenciais

Quem sou?
O que fiz?
Pra onde vou?
Serei feliz?

Por que aqui estou?
O que fiz?
Por que me tornei quem sou?
Sou infeliz?

Quem serei?
O que faço?
Por onde estarei?
Serei um solene palhaço?

Por que me pergunto tanto?
Terei respostas um dia?
Serei alegria
Ou serei espanto?
(Serei quem fui
Ou quem seria?).

Serei tristeza
ou serei encanto?
Farei o que pude,
ou fiz o que poderia?!!!



domingo, 8 de julho de 2007

(...)

(...)

Pegou o ônibus, como fazia cotidianamente.
Desceu no ponto, como fazia rotineiramente.
Atravessou a rua, como fazia inconscientemente.

Passou-se mais um dia
(Como acontecia normalmente)...

Dormiu às 21:00h,
como era costume.
Acordou às 23:35h
numa mistura de choque
pavor
e azedume...

E nada mais foi como antes:
Passou a observar e analisar os fatos.
Passou a participar do presente
(pra não continuar vivendo no passado).
Abraçou o futuro, como se fosse tátil.

E decidiu viver!
(Sem medos, sem preconcepções falhas,
sem temer eventuais críticas).

Passou a entender
que nem sempre quem respira
vive,
que nem sempre quem
anda
está no rumo certo...

E passou a se questionar,
a se adaptar,
a se entregar
de corpo-alma-coração
ao seu grandioso futuro
que já se fazia presente.


João Bosco De Oliveira.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Erótico

Feneço
à sombra
do escaldante sol
que me tornei.


João Bosco De Oliveira.

Caminhada

Se eu ainda
fosse o que fui,
jamais
deixaria que'u
me tornasse o que sou.

Ainda
que tarde seja,
ainda é cedo
para arrependimentos.

Vou da vida
tirando ensinamentos
que os mais sábios
tiram da vida dos outros.


Bebendo do âmago
de minh'alma
o último gole
de resistência,
imunizo-me
contra as excrescências
da caminhada...

...E sigo,
rumo ao futuro
cujo passado
me relegou
como presente.


João Bosco De Oliveira.

Paradoxais Paradigmas

O escuro
ajuda a pensar,
o silêncio
ajuda também.
A solidão
ajuda a pirar
(nas lembranças
das dores de alguém).

A mente
desatina e voa,
o corpo
desanima e cai
(à toa):
Ecos sussurrados
nos lamúrios
d'algum tolo
(ou tola).

Nem todas as sombras
(verdade é - creia!)
É aquilo o que'la é,
ou parece,
ou assemelha.

Nossos sentidos
nos engana,
quando queremos.

Não!
Não nos iludamos...
Verdade
é mentira
dependendo de quem diz.

Vaidade
só humilha
a quem é aprendiz.

Nem todas as dores
são sofrimentos;
nem todos os gozos
são simples momentos.

Verdade é mentira
para quem não a quer;
mentira é verdade,
dependendo de quem diz...


João Bosco De Oliveira.

Ser Raro

Ainda que o sol se esconda
por entre as nuvens
pretas que prenunciam
tempestade,
saberei que existe sol.

Ainda que a luz seja tragada
por algum buraco negro
desaparecido
na abaternidade,
saberei que existe luz.

Ainda que minhas lembranças
sejam roubadas
por alguma vil alma
cheia de senilidade,
criarei novas lembranças.

Pois a minha realidade
eu invento:
tornando-se tormento
a deleto.
Tal qual um decreto,
me isento
e me reinvento
cada vez mais completo
(cada vez mais complexo)...



João Bosco De Oliveira

Inevitável

Vamos acontecer
o momento,
enganos falecer
ao relento.

Vamos esperar
o inesperado,
espantos deixar
espantados.

Vamos ludibriar
a morte;
sofrimento
da vida
é a sorte...

Vamos acontecer,
vamos esperar,
vamos ludibriar.

Ver a morte morrer,
o inesperado esperar,
o momento acontecer
(A vida chegar e ficar).

João Bosco De Oliveira

 
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